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14.04.2024

Força de vontade na tarefa de ordenhar

Família do estudante João Marcelo Costa

Protásio Alves

A Serra Gaúcha também desponta entre as regiões do Estado que conta com grande produção de leite, fazendo do Rio Grande do Sul o terceiro produtor nacional. Segundo dados do Relatório socioeconômico da cadeia produtiva do leite no RS - 2019, na grande maioria dos municípios gaúchos há produtores que comercializam o leite para indústrias, cooperativas ou queijarias. Neste grupo está incluída a unidade familiar rural da família Costa, em Protásio Alves. Nela, Eloir Paulo Costa e o filho João Marcelo, estudante da EFASERRA, são os responsáveis pela criação de vacas e produção de leite que é industrializado pela Cooperativa Piá, de Nova Petrópolis.

Na propriedade da família Costa, o jovem João Marcelo e o pai ordenham uma média de 1.200 litros de leite por dia. As cerca de 40 vacas passam a maior parte do dia no campo, mas se depender do jovem empreendedor não por muito tempo.

“Quero construir um grande galpão, lá no alto do morro, onde elas possam ficar confinadas com espaço e conforto. Vai facilitar o trabalho e aumentar a produção”, prevê.

O trabalho da família Costa foi herdado do avô, João, e repassado para o filho Eloir quando este tinha 42 anos.

“Na época, vendemos a farmácia que tínhamos na cidade e investimos no aumento da produção de leite. Foi difícil, mas sempre fui um incentivador da sucessão familiar. Quando percebi que meu filho tinha vocação para a agropecuária, não pensei duas vezes, segui com a atividade”, relembra o orgulhoso pai.

A entrega do leite na Cooperativa Piá começou ainda em 2004, quando havia uma unidade instalada no município vizinho de Vila Flores em parceria com a Cooperativa Cooperflor. “Começaram a prestar assistência e isso facilitou muito o trabalho”. O vínculo com a Cooperativa foi ficando cada vez mais forte na família. Tanto que Eloir passou a integrar o Conselho Administrativo da Piá.

Com o filho determinado a seguir na atividade, o pai respira mais aliviado. “Ele já decide situações importantes, como, por exemplo, definir qual ração para as vacas rende mais leite e com menor custo.

Às vezes, é preciso deixá-lo errar para aprender. As técnicas que aprende na EFASERRA ele busca aplicar na produção”, observa o pai.

João Marcelo pôde aperfeiçoar seus conhecimentos na pecuária, também, nas oficinas de formação oportunizadas no projeto Juventudes e saberes – Alternância que constrói, como as de Nutrição das plantas e ciclagem de nutrientes, e de Técnicas e tecnologias para produção animal, vistas na prática durante a visita técnica na propriedade da família Scherer, em Brochier. Nessa vivência, o jovem teve a chance de observar práticas agronômicas de adubação mineral e orgânica (sólida e líquida - biofertilizante de dejetos suínos) no cultivo de milho.

Avanço com tecnologia

Imagine um guri de 17 anos determinado, que acorda às 5h30mim para lidar na ordenha das vacas. Esse é o inquieto jovem João Marcelo, que vive com os pais e os avós. Impossível não se impressionar com sua força de vontade. Embora ainda bastante jovem, ele sabe que quer ser produtor de leite e orgulhar a agricultura familiar. “Quero ter pelo menos 80 vacas, tirar 3 mil litros/dia e robotizar a produção. Já sei até quanto custa: entre R$ 600 mil e R$ 800 mil”, descreve o jovem agricultor, entusiasmado.

A mãe, Rosângela, costuma dizer que a escola agrícola “caiu do céu”. No dia em que uma professora da instituição de ensino foi na escola onde João Marcelo estudava, para apresentar a EFASERRA, ele chegou em casa e disse: “É lá que quero estudar”. Ingressou em 2019 e continua firme no seu propósito.

De aparência forte, o guri revelou seu gosto pela agricultura ainda pequeno. O pai, Eloir, conta que, aos três anos, ele já rabiscava no papel as rodas de um trator. “Todos os brinquedos eram relacionados com equipamentos agrícolas. Ele também acompanhava a lida com as vacas. Já queria tirar leite”, lembra.

O jovem aprendiz também reconhece que não tem o dom de atuar em qualquer segmento da agricultura. “Não gosto de trabalhar com frutas, por exemplo. Gosto mesmo é de lidar com o gado leiteiro”. Sobre o desafio de trabalhar de domingo a domingo, considerado um dos empecilhos para manter o jovem no campo, João Marcelo é categórico: “O trabalho não me assusta”.

Conteúdo produzido para publicação do projeto Juventudes e Saberes: Alternância que constrói, idealizado pela EFASERRA e viabilizado por meio do Termo de Colaboração FPE Nº 2564/2019, do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, através da Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR).